483 - O QUE É MELHOR PARA SE ELEGER: PROPOR OU ATACAR? - Parte I

15/07/2015 07:44

Adaptação do artigo de Francisco Ferraz

Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

Esta é uma discussão infindável nas campanhas políticas, sobretudo naquelas para cargos executivos, nas quais a disputa inevitavelmente tende a se polarizar e personalizar-se.

Nas eleições para cargos legislativos esse dilema tornou-se crescentemente decisivo, a medida que a disputa por votos é cada vez mais acirrada.

Essa constatação vale tanto no caso de competição entre candidatos de diferentes partidos como no caso de diferentes candidatos de um mesmo partido, numa mesma base eleitoral.

A verdadeira dúvida que envolve essa pergunta reside na incerteza sobre:

1) a eficiência de um ou outro curso de ação 
2) a reação do eleitor aos diferentes cursos de ação

A resposta politicamente correta a esta dúvida é que sempre o melhor é propor, isto é, fazer uma campanha afirmativa, e vencer o(s) adversário (s) pela superioridade das propostas.

Neste aspecto, as próprias pesquisas ajudam pouco. Por perceber que o politicamente correto é pronunciar-se a favor da campanha propositiva, os entrevistados invariavelmente tendem a escolher esta alternativa.

Por outro lado, a mais longa experiência em campanhas eleitorais, assim como o que ocorre particularmente nas campanhas eleitorais municipais, parece contrariar esta resposta.

Nas campanhas eleitorais - principalmente nas de âmbito nacional – grande parte dos comerciais de campanha produzidos enquadram-se no que se chama de campanha negativa, isto é, propaganda que tem por objetivo contestar as qualificações (pessoais, técnicas ou políticas) do adversário, para o cargo ao qual se candidatou.

Se atentarmos para as campanhas nacionais o quadro não parece ser muito diferente das municipais.

As campanhas tendem a começar com um conteúdo propositivo, mas logo descambam para a propaganda negativa, buscando a desqualificação do adversário perante o eleitorado.

As razões da crescente adoção da campanha negativa nas eleições fundamentam-se nas pesquisas políticas e psicológicas sobre o comportamento dos eleitores em resposta aos estímulos da campanha eleitoral.
Essas pesquisas, desenvolvidas pelos principais centros e departamentos de ciência política, produziram conclusões de enorme importância, como as seguintes:

 Primeiras impressões negativas são mais difíceis de mudar que as positivas;
 Informações negativas influem mais na decisão de voto do que informações positivas, quando se trata de questões relativas ao caráter dos candidatos;
 Possuir fatos positivos associados ao nome, não é tão importante para o eleitor quanto possuir fatos negativos associados;
 Revelar fraqueza de caráter é mais importante na rejeição do candidato do que mostrar força de caráter o é na decisão de voto positiva; 
 Eleitores tendem a avaliar o caráter dos candidatos na fase inicial da campanha e é muito difícil mudar este julgamento depois dele ter sido feito;
 A Propaganda negativa é mais lembrada pelos eleitores do que a positiva.

Estas descobertas de pesquisas, realizadas por instituições sérias e repeitadas, ajudam a explicar porque o recurso à “campanha negativa” tornou-se tão freqüente nas campanhas eleitorais.

Entretanto, se elas comprovam que o eleitor aceita a campanha negativa, elas não autorizam a conclusão apressada de que o eleitor não quer a campanha propositiva. Na política como na vida muitas vezes a diferença entre o remédio e o veneno está na dose.

 

 

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