545 - V.PTA.: POBRE PREFEITO SEM DINHEIRO?

24/01/2016 09:10

  Baseado no artigo de José Roberto de Toledo publicado no jornal O Estado de São Paulo

  A pergunta aqui se refere a Várzea Paulista, mas o exercício para respondê-la vale em grande parte para as prefeituras brasileiras. Um prefeito com cerca de 55% de avaliação ruim ou péssima a 9 meses da eleição consegue se reeleger? Só se não houver oponente. Ou melhor: se o eleitor achar que os concorrentes são ainda piores. Toda eleição é uma comparação. Mas as últimas têm sido, quase sempre, a busca do mal menor. Votar para mudar.

  Uma década passou e milhões de votos foram digitados na urna desde a última vez que a maioria dos brasileiros votou por convicção e com entusiasmo em um candidato. Juvenal Rossi foi eleito muito mais por MUDANÇA na política e na administração da cidade, como também pelo medo do PT viesse a fazer pior do que fez entre 2004 e 2012. Pode-se observar que hoje o descrédito superou a confiança, e a dúvida parece estar dominando o discurso político de quem não milita de lado nenhum.

  É fácil culpar os políticos profissionais e a falta de lideranças carismáticas, como se ambos surgissem do nada. Cada vez mais a disputa eleitoral gira em torno da economia e da capacidade de consumo de um eleitorado que deseja um administração municipal prática voltada para objetivos realistas, às vezes tão duvidoso que esbarra no cinismo. "O que eu ganho com isso?" é a pergunta fundamental por trás da decisão do voto. "Eu" é a palavra mais importante da frase, logo à frente de "ganho".

  Não cabe aqui julgar os méritos desse tipo de raciocínio, apenas constatá-lo. Afinal, foi assim que o eleitor foi treinado: vote em mim e tenha uma provável recompensa imediata: mais segurança, mais saúde pública, mais educação, mais esportes, mais isso e mais aquilo. E tome promessas eleitorais. Para quem foi privado durante a maior parte da sua vida do básico e das maravilhas prometidas na campanha eleitoral, não importa se essa recompensa tem um preço que o próprio eleitor vai pagar mais à frente.

  Assim, o voto passou a ser encarado como um empréstimo que não é preciso honrar. Como se a ação política não tivesse custos nem consequência, como se o governo municipal fosse apenas uma grande provedor.

  A fatura chegou, não há dinheiro para liquidá-la nem crédito para rolá-la. O carro fica estacionado porque a gasolina está cara, as luzes ficam desligadas porque é melhor do que levar um choque na hora de pagar a luz, e aquela construção ou reforma começada e não terminada fica suspensa porque os juros cresceram mais que o salário, se é que ainda existe salário.

  Não é à toa que o eleitor está descrente. Ele vai ter que pagar a conta, mas não está disposto a levar a culpa. Quem vai levar?

  Os prefeitos são fortes candidatos à reeleição porque são os primeiros que serão avaliados nas urnas. Não importa se estão tentando se mostrar nas ruas de suas cidades, ou se estão bem administrando os serviços públicos.

  Pobres prefeitos pobres, porque a queda da atividade econômica, de quebra, estrangula a arrecadação das prefeituras. É a festa da oposição? Depende da oposição, mais do que dos prefeitos.

 Tome-se Várzea Paulista como exemplo. Juvenal Rossi ainda está na frente nas pesquisas de intenção de votos para prefeito, mas hoje tem pouco menos de 30% das intenções de votos e aparentemente parece contar com poucas chances de reeleição. Porém, a reeleição do atual prefeito não se decidirá só pelas pesquisas, mas também pelo que ele não cumpriu das promessas feitas, por ficar só no sonho de ser prefeito e por não promover a MUDANÇA que os eleitores tanto desejam. O eleitor não se esqueceu do Poupatempo Saúde, da Maternidade e de outras promessas para se eleger em 2012, onde está incluída o cancelamento dos loteamentos na região no bairro do Mursa.

  O prefeito pode chegar melhor avaliado até o dia das eleições, já que tem a maquina na mão e os comissioandaos contratados para garantir votos com militancia, aí volta a ter chances talvez como mal menor. Entretanto um outro candidato pode até ganhar, mas resta saber se ele, o prefeito, consegue sair da faixa de rejeição em que se encontra hoje. 

  O governo ficar mostrando na página do facebook, em pleno ano eleitoral, que está limpado esgotos a céu aberto na rua Ilha Bela da Vila Real, limpando bueiros, arrumando a estrada de terra até o bar do Zequinha no bairro Gauchinha, limpando as áreas públicas do mato, tapando alguns buracos nas vias públicas e outras ações de OBRIGAÇÃO da Infraestrutura, não significa estar fazendo um bom governo, os anteriores também fizeram a mesma coisa. 

  E continua o mesmo discurso desde o 1º dia de mandato: não tem dinheiro. Talvez para justificar a permanente a falta de remédios nas UBS, no que acontece no Hospital Municipal, na Ciclovia iniciada e nunca terminada, no andamento na obra do Bertioga para conter as enchentes só no trecho que vai atender o novo supermercado, e por aí vai...

  Nesse caso, o que o eleitor pode estar desejando hoje ? MUDANÇA?

 

 

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