Nos depoimentos ao Ministério Público ou nas muitas conversas gravadas por delatores da operação Lava Jato com os mais importantes políticos do país do momento, fica evidente o desejo de influenciar decisões, seja no Executivo, no Legislativo ou no Judiciário. Mas não foi pronunciada uma só vez a palavra "povo" ou o "eleitor".
  Os senadores são eleitos para representar seus Estados; os deputados, o povo. Mas o que se viu em tantas conversas foi uma disputa de poder e o interesse em ser feito um acordo que embutia o controle das investigações na Lava Jato. "Tem de estancar essa sangria", pregou Romero Jucá numa conversa grampeada por Sérgio Machado.  

  Mesmo Renan Calheiros, que poucas vezes emitiu opinião, falou que tentou impedir a recondução de Rodrigo Janot para o cargo de procurador-geral da República. "Mas estava sozinho", disse ele, também em gravação.
  As gravações, conduzidas por Sérgio Machado, mostram que havia grande desenvoltura nos movimentos das lideranças do Legislativo na tentativa de fazer interferências no processo da Lava Jato. Assim, como nos depoimentos de Pedro Corrêa, uma citação de suposto diálogo entre o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, e o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, mostra o interesse em "quebrar tradição". 
  Da mesma forma, não é a quebra de uma tradição para mudar maus hábitos na política  e sim, para ampliar o toma-lá-dá-cá de cargos ainda mais importantes, como diretoria da Petrobras.
  Mas, se não está sendo citado nas conversas, o eleitor brasileiro parece estar cada vez mais maduro e interessado nos assuntos da política. A resposta, porém, pode ser silenciosa: NAS URNAS.

  

  Obs.: Aqui em Várzea Paulista não tem gravação, mas tem denúncias  no Ministério Público que hoje são Inquéritos Civil em andamento...  Espera-se  que, segundo uns e outros, até a campanha eleitoral alguns políticos sejam condenados e percam seus direitos políticos...