608 - INTERNET, REDES SOCIAIS, SMARTPHONES E CAMPANHA ELEITORAL

24/06/2016 06:00

    Baseado em artigo de José Roberto de Toledo - colunista do jornal O Estado de São Paulo

  Então... Serão só 45 dias de campanha eleitoral, entre uma crise política interminável e uma recessão econômica inesquecível. Ainda pior para os candidatos: sem dinheiro oficial dos "doadores empresariais" sobra apenas a esperança dos partidos investirem na campanha com o fundo partidário. Como será, então, a campanha eleitoral de prefeitos e vereadores? Dissimulada, negativa e móvel... pelo menos é o que se desenha para estas eleições 2016.

  Uma Pesquisa inédita do Ibope revela que, pela primeira vez, a maioria absoluta dos eleitores brasileiros (51%) recebeu informações sobre política pelo Facebook, Twitter, WhatsApp e Blogs. O recorde foi batido nos últimos 12 meses. Mais jovem e escolarizado o eleitor, maior a probabilidade de ele ter recebido mensagens políticas pelas redes sociais nesse período: 184% mais chance de ter sido lido por eleitores até 24 anos, e 258% mais chance entre quem cursou faculdade. A tendência também é mais forte entre os mais ricos, nos moradores do Sudeste e entre quem mora em capitais.

  Para confirmar a tendência de que as redes terão papel decisivo na eleição, em apenas um ano triplicou a proporção daqueles que pretendem usar mensagens de redes sociais para decidir seu votoIsso significa que os candidatos a prefeito e vereadores mais atentos deverão dedicar um esforço inédito para a campanha via telefone celular. É na tela desses aparelhos que o eleitorado mais conectado se informa via Facebook e Twitter, além, obviamente, do WhatsApp e Blogs. Na disputa pela atenção do público, os smartphones são a única tecnologia que absorve uma fatia crescente da atenção das pessoas que, como no caso do Blog Várzea Paulista, proporciona informação com acesso prático e atualizado. Os candidatos devem procurar se aproveitar disso.

  Se não bastasse, há outro motivo para investir em uma campanha móvel com smartphones: é muito mais difícil de monitorar. Ao contrário da TV, rádio e jornais, as mensagens via redes sociais são individuais, personalizadas e muito mais frequentes, e tendem a se misturar ao contexto da comunicação digital. O que os olhos não veem a Justiça Eleitoral não fiscaliza. Os candidatos podem gastar fortunas nesse tipo de comunicação com muito menos risco de exagerar na ostentação.

  Ora, porque os políticos teriam tal preocupação? Com a proibição das doações empresariais, a arrecadação oficial deverá ser bem menor do que no passado. Sem dinheiro no caixa 1, os candidatos não poderão justificar despesas ostensivas com propaganda. Daí o estímulo à propaganda disfarçada na forma e com sujeito oculto.

  Isso leva ao segundo motivo para os partidos camuflarem suas campanhas no Facebook, no Twitter e no WhatsApp. O tipo de propaganda que funciona nessas redes é a negativa: contra alguém ou contra uma ideia, muito mais do que a favor de um candidato.

  Na campanha ao governo de Minas Gerais em 2014, mensagens anônimas via WhatsApp colaram no candidato do PSDB o apelido “Turista da Veiga”, reforçando o fato de Pimenta morar em outro Estado. Esse tipo de guerrilha virtual ajudou a derrotá-lo.

  A pesquisa Ibope confirma o que a experiência dos marqueteiros lhes ensinara. Ao longo dos últimos 12 meses, apenas 27% do eleitorado diz ter mudado para melhor a imagem que tinha de um político ou partido graças a mensagens que recebeu via redes sociais. Ao mesmo tempo, o dobro de pessoas 56% dos eleitores afirma que mudou para pior a imagem de políticos e partidos por causa do que leu no Facebook, Twitter, WhatsApp e BlogsIsso mesmo: mais da metade dos brasileiros tem hoje uma opinião mais negativa do que tinha um ano atrás dos políticos por causa do que leu sobre eles. É demolidor.

  Esse poder destrutivo provoca oscilações cada vez mais inesperadas nas intenções de voto, retardando para a última hora a definição das eleições. Mas não só. O efeito acumulado dessa propaganda negativa é uma ressaca e uma desilusão com a política que ainda vai dar muita dor de cabeça, e não só para os políticos.

  Perguntas que podem ser feitas por quem vai disputar as eleições: 

  1) TV, rádios e jornais perderam força como formadores de opinião junto aos eleitores? 

   2) Investir em TV, rádios e jornais deixa, aparentemente, de ser uma opção impactante de marketing político? 

 

Voltar

Pesquisar no site

BVP © 2012 Todos os direitos reservados.

VárzeaPaulista/SP