612 - O CANDIDATO DO GOVERNO E O GOVERNO

01/07/2016 09:54

   Baseado no artigo de Gustavo Müller

   Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

  Para quem está no governo, um dos momentos mais difíceis da disputa eleitoral é suportar os ataques dos oposicionistas à atual administração e ao candidato da situação. Neste cenário, muitos governantes tendem a forçar a barra para que seu candidato assuma a defesa do governo, o que pode ser um erro fatal, sobretudo nos meios de comunicação locais.

  Dependendo da conjuntura que poderá cercar a disputa eleitoral, o comportamento mais adequado para o governante é não querer entrar no confronto direto com os adversários. O melhor é deixar essa tarefa para a equipe de campanha.

  Somente o governante tem a consciência real das dificuldades que enfrentou no governo e dos motivos e valores que orientaram suas ações. No entanto, em alguns casos a melhor estratégia pode ser a de distanciar o candidato que representa a situação da imagem do governo, observando, é claro, alguns critérios importantes.

  Avaliação do governo

  O primeiro critério é relativamente fácil de ser analisado. Ele diz respeito a como a população avalia o governo. As pesquisas de avaliação do governo podem assumir diversas metodologias e seus resultados podem corresponder aos aspectos gerais da administração, ou a áreas específicas como, saúde, educação, segurança, emprego, etc. Ainda existem pesquisas mais detalhadas que avaliam o desempenho do governo por regiões geográficas distintas.

  A metodologia utilizada é a apresentação de um questionário onde os eleitores qualificam o governo como ótimo/bom, regular e ruim/péssimo, o mesmo podendo ocorrer na avaliação do desempenho governamental por área. As pesquisas mais detalhadas precisam ser financiadas com recursos próprios dos partidos ou coligações.

  Dispondo desse instrumento é possível medir a conveniência ou não da associação entre aliados e candidato. A correlação obviamente deve ser positiva, ou seja, quanto maior a aprovação do governo maior a aproximação do candidato com o governo.

  Nessa situação a presença do governante na campanha eleitoral é bem vinda, desde que não se exagere na dose e não minta. É preciso ter sempre em mente que a associação entre um candidato e um governo sinaliza para os eleitores a continuidade de um trabalho mas que, o principal “produto” a ser oferecido é o candidato e não o governante. A presença do governante não pode de forma nenhuma ofuscar o candidato.

  O candidato governista

  Quando o governo é mal avaliado, a principal estratégia deve ser apresentar o candidato da situação como uma pessoa de idéias e soluções para problemas não resolvidos.

  Os estrategistas da campanha, de posse de pesquisas de avaliação do governo, devem concentrar o foco da campanha na apresentação do candidato para o eleitor como aquele que vai enfrentar com coragem e determinação os problemas que mais afligem a população.

  Contudo, novamente é necessário não exagerar na dose. A realização de eleições consecutivas já vacinou o eleitor contra soluções mágicas propostas por candidatos com passado onde se viu falta de responsabilidade.

  Isso significa que a população está mais atenta e não cairá na história de quem decidir se esquivar da responsabilidade de pertencer ao partido do governo. Além disso, os adversários sempre irão explorar os aspectos negativos do governo atual, promovendo sempre a associação deste com o candidato da situação.

  Portanto, nessas circunstâncias, embora sejam indicadas a ausência do governante na campanha e a apresentação do candidato como uma solução de continuidade, não será bem sucedida a estratégia que simplesmente eximir as responsabilidades de uma candidatura de situação.

  As situações intermediárias

  Nem sempre a conjuntura da disputa eleitoral permite uma distinção tão nítida entre a conveniência ou não da associação entre candidato e governo. Na maioria das vezes a conjuntura eleitoral aponta para um contexto intermediário no qual o governo pode ser mal avaliado em alguns aspectos e razoávelmente bem avaliado em outros.

  Nestas situações a presença do governante na campanha pode ser discreta, se apresentando como alguém que apoiou a realização do bom trabalho feito pelo governo. O candidato por sua vez, deve ser apresentado como aquele que teve competência para atingir bons resultados e que utilizará dessa competência para fazer o governo dar um salto de qualidade no seu próximo mandato, mas o eleitor precisará acreditar nisso.

  São muitas as variáveis que cercam e determinam a conjuntura de uma disputa eleitoral e não existe um método absolutamente seguro para levar o candidato da situação ao sucesso em uma reeleição. O certo, e isso sim vale para todas as conjunturas e situações, é que o governante que já exerce seu mandato como eleito, deve ter consciência se é o momento de deixar o cenário político, deixando que um outro candidato, juntamente com a equipe coordenadora de campanha, dispute as eleições.

 

 
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