641 - ELEITOR, POLITICA E POLITICAGEM

24/08/2016 10:29

  Publicamos no Opinião 145 o texto abaixo, revisado, que hoje está mais atual do que nunca: 

  Política = arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa).
  Politicagem = política de interesses pessoais, de troca de favores, ou de realizações insignificantes.
  Parece bem claro, certo? Deveria, mas não está. O que vemos é a falta de comprometimento (para não dizer caráter) no limite entre uma coisa e outra. Vamos aos exemplos:
  Entrar em acordo com partidos políticos adversários para melhor poder governar um país, é fazer Política. Trocar apoio político por dinheiro, é Politicagem! (pra não dizer corrupção...)
  Distribuir o orçamento de acordo com as necessidades partidárias, é Política. Liberar milhões de reais em emendas parlamentares às vésperas da aprovação de CPI, é Politicagem! (mesmo que não Tenha conseguido segurar a CPI, conseguiu ganhar a presidência e a relatoria...)

  Se preocupar com o futuro da nação ao invés de perseguir governos anteriores, é Política. Acobertar denúncias de corrupção do governo anterior, é Politicagem (para não dizer prevaricação ou - sendo mais leve - omissão!). O problema é que estamos tão habituados a ver conchavos, desvio de dinheiro público e corrupção que até mesmo nós - tão longe de sermos os beneficiários desta Política(gem) toda - perdemos a capacidade de diferenciar o que é isso ou aquilo. Se ainda nos lembrássemos, ah, se lembrássemos e tivéssemos iniciativa que nossos vizinhos bolivianos e argentinos tiveram, Política e Politicagem seriam duas palavras bem distantes uma da outra. Tanto que eu não precisaria recorrer ao dicionário para saber a diferença... 

  O problema não é a política, mas a politicagem. Entenda-se por politicagem a malandragem que deturpa essências. É o mentiroso que, vestido com a roupa linda da verdade, oculta sua lepra moral. É o sorriso falso que envenena o olhar que o recebe. É o estelionato das emoções. O politiqueiro é um ladrão de sonhos, um gigolô de desejos. Quando o câncer da politicagem entra em metástase o primeiro a definhar é o voto. Aquele eleitor sincero, que sonha com um país honesto e digno é simplesmente assaltado em sua alma, tem sua retina prejudicada pelas luzes ofuscantes dos espetáculos que os magos da politicagem promovem, cujo ápice do show é a mágica de sumir com o dinheiro público.

 Política é (um pouco) diferente. Nela cabem alguns honestos (note: alguns!). A política é uma arte, e como toda arte exige talento – e talento é para poucos. A verdadeira política é ambiente de pessoas com vocação política democrática, nunca de aproveitadores. É lugar de se trabalhar com projeções, com esperanças e futuro. É um híbrido de profetismo com poesia. É para alguns.

  O que temos hoje é muita politicagem e pouca política. Muita ilusão e mentiras, pouca verdade. É o voto como barganha, negociação desprezível. Moeda de troca. É o politiqueiro em sua irritante mania de achar que pode dispor da população e de seu voto como bem entender, que faz de seu mandato um passeio pela terra da falta de vergonha.

  Quem sabe nestas eleições 2016 o eleitor acabe com a politicagem, começando por não reeleger ninguém que teve a oportunidade de fiscalizar e fazer política para a população, como os vereadores, mas que preferiu cuidar só dos seus próprios interesses... até lá Oremos!

Voltar

Pesquisar no site

BVP © 2012 Todos os direitos reservados.

VárzeaPaulista/SP