873 - CONDENADO, PRESO OU LIVRE, LULA É O FATOR MAIS RELEVANTE DA ELEIÇÃO

23/01/2018 07:45

   Por Marcia Bechara, Radio France International

   Fonte: https://www.abjornalistas.org/page.php?news=4622

  O ano de 2017 foi politicamente conturbado no Brasil e 2018 promete ser ainda mais movimentado. Para fazer uma análise desse cenário, a RFI Convida a cientista política Mara Telles, professora e pesquisadora do Departamento de Política da UFMG. Segundo ela, o que melhor caracterizou o Brasil e o mundo politicamente no ano que passou foi a perda da confiança na democracia. "Tanto o Brasil quanto outros países estão num processo de 'des-democratização'. Tomava-se como certa a democracia e seus valores, eleições livres e competitivas, Estado de direito, direitos humanos e liberdades civis eram instituições consolidadas nas sociedades ocidentais e no Brasil, e que isso iria se expandir em 2016 e 2017. Depois do impeachment da presidente [Dilma Rousseff] não foi isso que aconteceu", avalia Telles. "Essa lógica de uma democracia liberal, nascida na década de 1980, está sendo colocada em xeque.

  Vemos no Brasil líderes de movimentos e partidos populistas de tendência antiliberal ganhando mais espaço na opinião pública e ocupando classificações importantes na corrida eleitoral prevista para 2018", pontua a especialista. A professora observa que a geração nascida nos anos 1980 e 1990 demonstra menos apoio à democracia e parte deste público tem se deixado seduzir por candidatos de perfil populista autoritário, como é o caso de Jair Bolsonaro. "Bolsonaro ameaça a democracia porque desafia seus valores-chave, como o pluralismo, a tolerância social", explica.

  A pesquisadora nota que, neste contexto, a presença do ex-presidente Lula no pleito será "um fator importante nas eleições", sendo ele condenado ou não."  O ex-presidente Lula hoje tem um capital político muito forte. As últimas pesquisas do Ipsos apontam que ele seria quase eleito no primeiro turno. Se condenado, ele deve ter a possibilidade de transferir cerca de 40% dos seus eleitores para um outro candidato, ou seja, ele é ainda a principal variável, o principal fator eleitoral em 2018, seja condenado, preso ou livre. Ele é o elemento mais relevante da disputa de 2018", ressalta a cientista política. "Mas a condenação me parece ser o que está previsto em seu segundo julgamento em 24 de janeiro. Alguns juízes da 4ª TRF, Tribunal Regional Federal da 4ª Região, já disseram à imprensa que o prognóstico é que ele venha novamente a ser condenado e que saia do processo eleitoral, o que vai gerar muita incerteza", analisa Telles.

  A pesquisadora sublinha que o PT e PSDB estão bastante fragilizados perante a opinião pública - o PSDB não consegue sair dos 8% de aprovação e de intenção de voto. "Nesse sentido, o crescimento de um candidato antipolítica, de um outsider, de um empresário qualquer, ou de alguém com outro capital não político pode também aparecer e surgir nas eleições de 2018", afirma.
 

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