877 - FAKE NEWS, O PAPA, POLÍTICA, ROBÔS E A FGV

29/01/2018 08:32

  Fake News, ou notícias falsas, é um termo novo, ou neologismo, usado para se referir a notícias fabricadas. O termo Fake news originou-se nos meios tradicionais de comunicação, mas já se espalhou para mídia online. Este tipo de notícia/informação, encontrada em meios tradicionais, mídias sociais ou sites de notícias falsas, não tem nenhuma base na realidade, mas é apresentado como sendo factualmente corretas, principalmente para induzir polarização social, política e econômica. Estudos estão sendo feitos para inibir essas postagens nas redes sociais. 

  Segundo o papa Francisco, Fake news começou com a serpente e Eva no jardim do Éden, condenando as notícias falsas, dizendo que jornalistas e usuários de redes sociais devem rejeitar e desmascarar "táticas de serpente" manipuladoras que fomentam a divisão para servir a interesses políticos e econômicos. "Notícias falsas são um sinal de atitudes intolerantes e hipersensíveis e levam apenas a difusão de arrogância e ódio. Esse é o resultado final da mentira", disse Francisco, e que pede um retorno da "dignidade do jornalismo". Essa declaração foi emitida após meses de debate sobre o quanto notícias falsas podem ter influenciado a campanha presidencial dos Estados Unidos em 2016 e a eleição do presidente norte-americano, Donald Trump. O documento, chamado "A verdade irá libertá-lo – notícias falsas e jornalismo para a paz", foi emitido em antecipação ao Dia Mundial das Comunicações Sociais da Igreja Católica, em 13 de maio. "Difundir notícias falsas pode servir para atingir objetivos específicos, influenciar decisões políticas e servir a interesses econômicos", escreveu o papa, condenando o "uso manipulativo de redes sociais" e outras formas de comunicação. O pontífice disse que a primeira fake news foi no início dos tempos bíblicos, quando Eva foi tentada a colher uma maçã do jardim do Éden, levada por informações falsas (Fake news) divulgadas pela serpente. "A estratégia desse inteligente "pai das mentiras" é precisamente a imitação, essa forma de sedução traiçoeira e perigosa que se insinua no coração com argumentos falsos e atrativos", disse Francisco, referindo-se à serpente. 

  Entre os exemplos de como é usado na política nacional, regional e municipal, como nas eleições para presidente em 2014 que "desconstruiu" a candidatura de Marina Silva, temos o mais recente no julgamento de Lula dia 24/01 em Porto Alegre, conforme levantamento da Fundação Getulio Vargas que transcrevemos abaixo:

   ROBÔS INFLUENCIARAM DEBATE NAS REDES SOCIAIS DURANTE O JULGAMENTO DE LULA

   Por Flávia Pierry

   Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2018/robos-influenciaram-debate-nas-redes-sociais-durante-julgamento-de-lula-1nzxcz6lldprle6d69u6un5e1

  Levantamento da FGV revela que 35 mil interações no Twitter foram feitas por robôs. E alerta para o uso desse recurso para “provocar controvérsias e questionamentos” nas eleições.

  Durante o julgamento do recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Porto Alegre, na quarta-feira, 24/01, opositores e apoiadores do petista utilizaram as redes sociais para defender seus pontos de vista. Foram cerca de 1,2 milhão de menções ao julgamento em 24 horas. Levantamento aponta que, desse total, aproximadamente 35 mil interações foram iniciadas ou motivadas por robôs, contas que não são controladas por humanos utilizadas para movimentar o debate e gerar comoção em torno de algum tema. 

  Estudo feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV/DAPP) aponta que os robôs foram usados tanto pelos apoiadores de Lula (com o tópico “CadêAsProvas”) como pelos opositores (que utilizaram tópicos como “MoluscoNaCadeia”), com predominância deste último. Do total de menções registradas naquele dia, os robôs representaram 5,5% das interações feitas no campo de oposição e 5,1% no grupo de apoio a Lula. 

  O julgamento de Lula foi o evento político de maior magnitude nas redes desde a abertura do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em abril de 2016, quando foram registradas 1,5 milhão de interações. O grupo formado por perfis de apoiadores do ex-presidente dominou o debate ao final, com 44% das interações, contra 35% do grupo de oposição ao petista. O evento mobilizou ainda 254 mil menções no exterior. 

 

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