908 - PT LANÇA CAMPANHA CONTRA A PRISÃO DE LULA

12/03/2018 08:09

   Depois que pressionou a Justiça nas audiências da 1ª Instância levando militantes a Curitiba, e fazendo o mesmo no julgamento da 2ª Instância do TRF-4 em Porto Alegre, agora o PT se volta contra o Supremo Tribunal Federal para que seja colocado na pauta do Plenário a questão do condenado na 2ª Instância ser preso ou não, e dá inicio a uma campanha para conclamar o povo contra a prisão de Lula. Analistas políticos dos meios de comunicação entendem que o PT quer ganhar no “grito”, e pressionar o STF é a última cartada do PT para livrar Lula da cadeia após o julgamento do último recurso no TRF-4. Mas, para isso, a sociedade toda precisa apoiar a campanha e se insurgir contra a prisão de Lula, talvez ocupando Brasília para pressionar os ministros do STF. Não deu certo na 1ª e nem na 2ª Instâncias, e parece improvável que a sentença seja revertida no STF, ou que os ministros mudem a jurisprudência para livrar Lula. Portanto, a questão parece se resumir em conseguir que a população se mobilize para livrar Lula da prisão, conforme deseja o PT. Vejamos o artigo de Josias de Souza sobre isso:

   Fonte: https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/03/11/pt-lanca-uma-campanha-contra-a-prisao-de-lula/

  “Aos pouquinhos, o PT vai deixando em segundo plano a candidatura presidencial de Lula. Neste domingo, a presidente da legenda, Gleisi Hoffmann, convocou petistas e simpatizantes para se engajar em outra causa: uma campanha contra a prisão de Lula, que deixou de ser mera hipótese depois que o Superior Tribunal de Justiça negou o habeas corpus preventivo pedido pela defesa do condenado petista: “A prisão de Lula é um dos maiores retrocessos à sociedade brasileira, à nossa democracia e às conquistas de direito”, disse Gleisi em vídeo divulgado nas redes sociais. “A partir dessa semana o PT começa essa campanha. Não só por redes, pela internet, com material de esclarecimento, mas também com material impresso.” Gleisi sugere aos devotos de Lula que peguem no site do PT panfletos como este que vai reproduzido ao lado. Ela orienta: “…Distribua no seu local de trabalho, onde você estuda, na rua, onde você mora. Fale com a população. Diga o que está acontecendo. Chame essa atenção.” A presidente do PT prosseguiu: “A prisão de Lula vai ser muito perversa ao povo brasileiro. Nós temos que deixar bem claro: nós não vamos assistir mansamente à prisão do nosso líder, aliás, o líder do povo. […] Nós vamos com Lula até o final. Nós vamos com Lula até as últimas consequências.”

  A inquietação do petismo cresce porque o TRF-4 deve concluir até o final do mês o julgamento do último recurso protocolado pela defesa de Lula na segunda instância. Chama-se “embargo declaratório”. Não altera a condenação. Serve, no máximo, para esclarecer eventuais dubiedades ou omissões da sentença. Vencida essa etapa, o tribunal liberará o juiz Sergio Moro para expedir o mandado de prisão de Lula, condenado a 12 anos e 1 mês de cadeia. A essa altura, apenas uma decisão do Supremo Tribunal Federal poderia livrar Lula do encarceramento. Contudo, a presidente da Corte, Cármen Lúcia, reagiu à pressão exercida sobre ela impondo um novo revés ao candidato à cadeia. Ela antecipou a divulgação da pauta de julgamentos que a Suprema Corte realizará no mês de abril. E excluiu da lista duas ações que tratam genericamente da prisão de condenados em segunda instância, além do habeas corpus ajuizado pela defesa de Lula.

  Em teoria, qualquer ministro do Supremo pode levar processos diretamente ao plenário, sem passar pelo crivo da presidência. Imaginou-se que Edson Fachin, relator do habeas corpus de Lula, faria isso. Mas ele decidiu submeter-se ao calendário de Cármen Lúcia. Na semana passada, o PT animou-se com a possibilidade de Ricardo Lewandowski levar ao plenário um par de habeas corpus cujo julgamento beneficiaria Lula por tabela. Mas o ministro tampouco se animou a furar a fila da presidente. A sequência de más notícias fez cair a ficha do PT, forçando o partido a mudar de assunto. Em vez de sucessão, só se fala em prisão. “Vivemos tempos sombrios no Brasil”, declarou Gleisi em seu vídeo. “Não temos normalidade democrática, política e institucional. É nesse processo que a perseguição de Lula acontece. O PT defende que o Supremo Tribunal Federal coloque em pauta novamente a discussão sobre o cumprimento da pena após julgamento em segunda instância.”

  Para Gleisi, “é um absurdo quererem prender o maior líder popular que este país já teve. Nós não podemos assistir isso como se fosse normal em nosso país. Não é normal.” A senadora petista não explica o que é “normal” na sua concepção. Considerando-se que a própria Gleisi é ré em ação penal da Lava Jato, levando-se em conta que a bancada mensaleira que passou pela cadeia da Papuda continua nos quadros do PT, a corrupção é, para a cúpula da legenda, uma mera anormalidade proposital do partido para denunciar a normalidade de um sistema político baseado na hipocrisia.

    Ao lançar a campanha contra a prisão de Lula, o PT busca atingir uma proeza: a legenda tenta dissociar-se de suas ações espúrias, mantendo-se incólume a si mesma. Alheia a três decisões já tomadas pelo Supremo sobre prisão de condenados em segunda instância, Gleisi ensina: “Ninguém pode se preso senão por trânsito em julgado de sentença condenatória. E trânsito em julgado é quando o último tribunal dá o seu veredicto sobre o processo. E o último tribunal é o Supremo Tribunal Federal.”

  A senadora não percebeu. Mas sua pregação não beneficia apenas Lula. Por tabela, Gleisi e a campanha petista se insurgem contra a prisão de todos os corruptos sentenciados no escândalo da Petrobras e seus congêneres. O lema da nova campanha do PT é: “O povo quer Lula livre”. Mas pode ser traduzido para: “O povo quer Eduardo Cunha livre.” Ou: ''O Povo quer todos os larápios com sentenças confirmadas na segunda instância livres da cana dura.'' Ou ainda: ''Prisão de corrupto é um atentado à democracia.''

 

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