965 - SOB TEMER, ATÉ A SENSIBILIDADE HUMANA VIRA PÓ - A VARA CURTA

01/06/2018 10:43

   Condensado das abordagens de Josias de Souza (blogueiro político no UOL) e Tereza Cruvinel (colunista no Jornal do Brasil)

   Fonte 1: https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/06/01/sob-temer-ate-a-sensibilidade-humana-vira-po/

   Fonte 2: https://www.jb.com.br/coisas-da-politica-2/noticias/2018/06/01/vara-curta/

  O governo incluiu projetos sociais nos cortes de despesas que teve de fazer para garantir o diesel mais barato a caminhoneiros e a empresas transportadoras. Pense só nisso por um instante. Esqueça todo o resto. Programas sociais com orçamentos ridículos vão virando um escárnio. Foram passados na lâmina, por exemplo: R$ 4,1 milhões de prevenção contra drogas, R$ 55,1 milhões de universidades, R$ 135 milhões do SUS. Até o saneamento básico e a moradia popular perderam verba. Experimente colocar os cortes sociais nas suas circunstâncias. Pense na reunião em que os técnicos discutiram as formas de garantir o desconto no diesel. Não ocorreu a ninguém dizer ‘quem sabe na educação e na saúde a gente não mexe!’. Nenhuma voz se levantou para ponderar: ‘gente, cortar no saneamento pode pegar mal.” Alega-se que os cortes foram pequenos. Mas o pouco de quase nada é sempre muito. O mais trágico não é nem a crueldade. A tragédia está na percepção de que, sob Temer, até a sensibilidade humana vira poeira.

  Falando ontem num evento evangélico, o presidente Michel Temer disse estar ali a chamado de Deus para celebrar a “pacificação dos brasileiros” com o fim da greve dos caminhoneiros. No percurso, pode ter visto as enormes filas de carros que se formaram nos postos da capital federal, onde muitos passaram a noite esperando a chegada da gasolina. Começou o alívio mas falar em pacificação é otimismo demais ou autismo. A conta alta vem aí e o governo parece disposto a produzir mais agendas que dividem o país. Hoje mesmo o Palácio do Planalto pode encaminhar ao Congresso um projeto de lei, com pedido de urgência, autorizando a privatização de seis distribuidoras de energia da Eletrobrás. Necessária ou não, a proposta divide o país, promete confusão no Congresso e protestos nas ruas. O discurso nacional-estatista diz que o preço da energia irá às alturas. Na quarta-feira o TCU aprovou a publicação do edital de venda e o BNDES lançará o edital em uma semana.  

  A Pesquisa do Instituto Datafolha mostrou anteontem que 55% dos entrevistados são contra a privatização da Petrobras e 74% contra sua venda a grupos estrangeiros. Com a vara curta que tem neste momento, o governo debilitado e em final de mandato deveria deixar isso para o sucessor que será eleito em breve. Insistir chamará confusão. Com o fim da greve, toda cautela é pouca, apesar do início do alívio. Pelo WhatsApp circulavam ontem mensagens de caminhoneiros avisando que ela pode voltar na segunda-feira, porque o desconto de R$ 0,46 no preço do diesel não estava chegando às bombas. O governo prometeu para hoje. Deve ser terrorismo, mas exige atenção. 

 

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