989 - ALCKMIN LUTA PARA SOBREVIVER NA CORRIDA PRESIDENCIAL ATÉ O INÍCIO DA CAMPANHA

14/07/2018 09:45

   Condensado do artigo de Rodolfo Borges e Afonso Benites

   Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/03/politica/1530654882_830606.html

  O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) parece ter tudo a seu favor para uma campanha à presidência da República, menos o essencial: VOTOS. Sem empolgar nas pesquisas e com uma taxa de rejeição rondando os 70%, o pré-candidato de um dos maiores partidos do Brasil, favorito entre investidores e governador por quatro vezes do maior colégio eleitoral do país, Alckmin deixou nas últimas semanas a sobriedade que marcou sua carreira política para desafiar publicamente um concorrente direto e dar declarações acima de seu tom característico. Mas a desconfiança não passa e o nome do ex-prefeito João Doria, pré-candidato do PSDB ao Governo de São Paulo, segue circulando como alternativa presidencial para os tucanos.

  Alckmin se reuniu em Brasília na semana passada com representantes de partidos considerados de centro que ainda não embarcaram em sua candidatura, o chamado Centrão. O jantar com DEM, PSC, PRB, PP e Solidariedade não foi conclusivo. Se, por um lado, o tucano se livrou de um "não" definitivo, também não viu lideranças saírem do encontro declarando apoio incondicional a sua candidatura. Mais cedo, em evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria, Alckmin voltou a dizer o que tem repetido nas últimas semanas: a campanha eleitoral não começou de verdade e boa parte do eleitorado ainda não sabe quem são os candidatos à presidência.

  A campanha começa oficialmente no dia 16 de agosto, mas o ex-governador prefere mirar o período de propaganda eleitoral gratuita: “A campanha começa depois de 31 de agosto, quando se inicia a propaganda de rádio e televisão". O diretor do Instituto Datafolha, Mauro Paulino, concorda: “Tudo é um processo, ainda tem a campanha na televisão. Alckmin ainda pode crescer e atingir o desempenho de 2006, quando também começou baixo, e chegou ao segundo turno”.  Antes de chegar à disputa oficial, contudo, Alckmin terá de convencer seu próprio partido a embarcar na campanha — as convenções partidárias devem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto. Ele ainda não conseguiu se livrar da sombra de Doria, que segue frequentando as notas das colunas políticas como alternativa e divulgou mensagem nesta semana para dizer que seu candidato à presidência é Alckmin: "Aqueles que dizem o contrário só querem mal à candidatura do Geraldo e à minha".

  Apesar das negativas, o nome do ex-prefeito de São Paulo segue sendo incluído entre os presidenciáveis nas pesquisas Ipsos. O resultado, contudo, não parece animador o bastante para sugerir um troca. Enquanto Alckmin aparecia reprovado por 70% dos eleitores (e aprovado por 18%) em 18 de junho, Doria tinha 65% de rejeição (e 11% de aprovação). Além do mais, aponta rejeição alta para todos os outros nomes mais relevantes da pré-campanha presidencial — 65% reprovam a conduta de Ciro Gomes (PDT), 64% desaprovam Jair Bolsonaro (PSL) e 63% rejeitam Marina Silva (Rede). 

  No esforço para se manter vivo na disputa, o ex-governador vem repetindo que tem entre cinco ou quatro acordos para coligação encaminhados (os partidos seriam PTB, PSD, PPS e PV), o que lhe garantiria ao menos 20% do tempo de propaganda de televisão. Sempre moderado em suas manifestações públicas, o ex-governador defendeu nas últimas semanas facilitar o porte de armas em regiões rurais e liberar armamentos para guardas municipais. O comedido tucano também chegou a desafiar Bolsonaro para um debate sobre segurança por meio de suas redes sociais. Sua equipe de campanha tem investido em memes para criticar a postura do adversário.

 

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