O CANDIDATO DO PT E O CANDIDATO ANTI-PT

09/10/2018 09:47

   Por Andreia Sadi

   Fonte: https://g1.globo.com/politica/blog/andreia-sadi/post/2018/10/08/aliados-pressionam-haddad-para-que-ele-abandone-a-agenda-lula-livre-bolsonaro-reforcara-discurso-antipt.ghtml

  Com a apuração ainda em curso neste domingo, 07/10, Fernando Haddad (PT) chegou a achar por um momento que estava fora do jogo. Ele acompanhava pela TV a evolução da votação com aliados e família em um hotel, em São Paulo e, mesmo quando diziam que a eleição não terminaria neste domingo, ele ponderava: cauteloso, achava que acordaria nesta segunda-feira (8) com Jair Bolsonaro (PSL) eleito presidente. Tudo isso porque o petista assistia em choque, pela TV, a onda Bolsonaro que arrastava candidatos anti-PT aos governos para o segundo turno nos estados e Congresso. Candidatos que surfaram na popularidade do candidato do PSL e no seu discurso anti-petista.

  Quando Jair Bolsonaro foi a 47,6%, Haddad se levantou diante do resultado na TV e comemorou com os braços no alto, feito um gol: estava no segundo turno. E agora poderia colocar em prática o plano de ser "mais Haddad, menos Lula". Poderia? Faltava combinar com o ex-presidente Lula, com quem Haddad se encontrou nesta segunda-feira (8), e com o comando do PT, que vetou mudanças ao centro no primeiro turno, como queria o grupo mais ligado a Haddad, para ampliar apoios. Sem contar que aliados de Haddad, seu grupo mais próximo, pressionam o candidato para que ele abandone a agenda "Lula Livre", como apelidaram nos bastidores as declarações de que a prisão de Lula – condenado por corrupção – foi uma injustiça.

  Motivo principal: o tsunami eleitoral provocado por Jair Bolsonaro, que se transformou em principal cabo eleitoral nos estados – principalmente alavancando candidatos que entoaram o discurso no combate à corrupção, ao PT e no reforço da segurança pública. O resultado das urnas confirmava a avaliação de Mauro Paulino, diretor do Datafolha ao blog: "Com menos intensidade ainda do que Lula, mas surgiu uma liderança com carisma suficiente para elevar candidaturas, só comparável a Lula". Portanto, o lema do segundo turno estava confirmado, numa espécie de plebiscito: o candidato do PT e o candidato anti-PT.

 

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