COMO PERDER A ELEIÇÃO - Parte 1

19/08/2016 07:51

    Artigo de Francisco Ferraz

  Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

  O título deste texto é insólito, mas muito mais real do que se imagina. Há candidatos que estão predestinados para a derrota, por suas próprias características pessoais. São candidatos, cujos traços pessoais mais fortes afastam-no do eleitor, colidem, contrariam, quando não antagonizam, as disposições e sentimentos do eleitor.

  Chega a ser um contra-senso que essas pessoas se disponham a ser candidatos e que, em número expressivo, efetivamente sejam escolhidos para tal, pelos partidos políticos.

  Eles estão em todos os partidos, aparecem em todos os anos eleitorais, embora só muito raramente aconteça que algum deles vença a eleição.

  A motivação para disputar a eleição provém, muitas vezes, de pressões de amigos ou colegas de partido, ou do sucesso pessoal na atividade privada, ou de uma alegada superioridade intelectual, social ou econômica, ou ainda de um otimismo ingênuo, uma ilusão poderosa, ou mesmo de um voluntarismo exacerbado. Em todos os casos, entretanto, os argumentos que o levam a ser candidato conseguem ultrapassar a barreira da sua autocrítica.

  Se gasta mais dinheiro e perde-se mais tempo em campanhas para perder, do que em campanhas para ganhar  Essa é uma verdade que não decorre, exclusivamente, do fato de que há sempre mais candidatos que vagas, na luta pelas funções públicas e, como decorrência, há sempre mais derrotas que vitórias.  Ela se refere àquelas campanhas que nascem estigmatizadas por vícios de origem, que as impedem de tornarem-se competitivas e que as encaminham inevitavelmente para a derrota. Parece um contrassenso, mas não é. A intenção de acertar, e por consequência de ganhar, não é suficiente para suprir aquelas falhas e deficiências fatais, embutidas na candidatura e na campanha.

 A intenção é um ato de vontade individual. O resultado é um ato coletivo, produzido por milhares de vontades individuais. Entre uma e outro, desdobra-se, no curto prazo de alguns meses, a construção, gerenciamento e operação de máquinas políticas, montadas especialmente para disputar a eleição.

  A campanha eleitoral como uma “máquina política”

  Cada candidato monta a sua campanha e a "máquina" a executa, isto é, a organização mediante a qual, os recursos materiais e humanos que dispõe, são usados para produzir votos no dia da eleição.

  Esse já é um desafio organizacional de tais proporções que é dificilmente alcançável, de forma satisfatória, pela maioria das campanhas. A maioria das campanhas eleitorais fracassa antes de começar, ao montar uma máquina de campanha ineficiente. Esta não é uma falha que deva surpreender, nem um desafio a ser subestimado.

  Não basta ser capaz de conceber a "máquina". É preciso também escolher as pessoas certas para as funções respectivas, e ter a competência executiva para operá-la. Em outras palavras, é um desafio equivalente a financiar e organizar uma empresa, e produzir e comercializar a sua produção, num espaço de poucos meses.

  Reduzida ao essencial, sua estrutura é basicamente a mesma para qualquer campanha. Entretanto, dependendo dos recursos com que conta e da qualificação dos que a operam, pode chegar a reunir milhares de pessoas, centenas de especialistas, e movimentar um volume de recursos financeiros extraordinário. Sua função é claramente definida: produzir e sustentar uma candidatura, e conquistar os votos necessários para levá-la à vitória.

  Cada candidato monta a sua campanha e a "máquina" a executa, isto é, a organização mediante a qual, os recursos materiais e humanos que dispõe, são usados para produzir votos no dia da eleição.

  Convém, então, não esquecer as características básicas dessa organização:

  · Organização complexa

  · Metas definidas quantitativamente (votos necessários para vencer)

 ·  Prazo curto de funcionamento (período da campanha).

  ... continua na Parte II...

 

 
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