O CANDIDATO COM A OBRIGAÇÃO DE VENCER - Parte 1

05/09/2016 08:02

    Artigo de Francisco Ferraz

   Fonte: www.politicaparapoliticos.com.br

   Para alguns, a vitória é só uma questão de tempo. Porém, o excesso de confiança traz dentro de si uma armadilha fatal

   Este caso é muito peculiar e paradoxal. Afinal, o senso comum nos diz que, aquele que se candidata busca a vitória. Na realidade, não é bem assim. Há candidatos que se sabem sem chances, e, mesmo assim, dispõem-se a concorrer para ajudar o partido. Seja para conquistar cadeiras no legislativo, seja para marcar a presença do partido, com sua mensagem própria, ou até para preservar espaços políticos que já possui.

   Mas este não é o caso do candidato que entra na disputa tendo fixado subjetivamente uma obrigação de vencer. A palavra-chave, na caracterização deste tipo de candidato, é "obrigação". Isto é, a eleição é dada por ele como vencida, antes mesmo de começar a campanha. Esta é apenas a trajetória que precisa ser legalmente cumprida para confirmar a sua vitória.

   De onde vem esta obrigação? Ela não surge do partido, que sabe ser ela despropositada. Não é criada pelos comentaristas políticos que, com sua experiência, animam-se no máximo a apontar favoritismos. Também não é extraída das pesquisas (sérias) porque indicam tendências, e não são nunca profecias sobre o futuro. A mídia cria expectativas ao apontar candidatos favoritos.

   A obrigação de vencer vem da cabeça do candidato, do seu ouvido seletivo (só dá importância às informações favoráveis), do seu preconceito em relação aos demais candidatos, do grupo que constitui em volta de si, já pré-selecionado a partir desta convicção, da família dele que tende a encarar a eleição sempre do ângulo emocional, de sua auto-avaliação, onde aparece como largamente superior, em todos os aspectos aos seus adversários, por vezes de seu ódio contra um adversário em relação ao qual não admite ser derrotado, e, em não poucos casos, tudo isso se concentra numa vaidade pessoal exacerbada.

   O candidato obrigado a vencer possui semelhanças com a Seleção Brasileira de Futebol, no período que antecede à Copa do Mundo. A seleção já sai do Brasil embalada no sentimento de vitória antecipada. Não poucas vezes as discussões se concentram em decidir com quem será a final. A mídia nacional, a posição da seleção no ranking internacional, os comentários estrangeiros, o clima de excesso de confiança, mal-contido na entrevistas dos jogadores, tudo converge para a criação de um estado de espírito na opinião pública de, mais que confiança, convicção na vitória final da seleção.

 Tem-se a impressão que já ganhamos a Copa, embora fiquemos sujeitos a confirmar a vitória nas partidas previstas na tabela de jogos. Quando os fatos não confirmam a expectativa, há sempre algumas desculpas à mão, para provar que, embora merecessemos ganhar, algum acidente imprevisto, injusto e fatal, nos arrebatou a vitória.

   "Não ganhamos, mas a vitória moral foi nossa"; "a culpa foi do juiz"; "um problema de última hora vitimou Ronaldinho"; "foram erros do técnico"; para citar algumas das desculpas que têm sido usadas para explicar aquilo que tinha se tornado inexplicável.

   O candidato obrigado a vencer entra na disputa assim como a Seleção Brasileira entra na Copa: já ganhou, mas infelizmente terá que se sujeitar aos jogos do campeonato (à campanha eleitoral e ao processo eleitoral). Se ao final ganhar, não é surpresa. Nada mais fez do que sua obrigação. Se perder, aí sim a surpresa é grande. logo são necessárias explicações para o absurdo que não ponham em dúvida a natural superioridade.    Não é a seleção que é inferior, assim como não é o candidato que é ruim. Foram fatores imprevisíveis, e a seleção brasileira de futebol normalmente já sai do Brasil embalada pela vitória antecipada incontroláveis que provocaram o desastre.

  ... continua na Parte 2...

 

Voltar

Pesquisar no site

BVP © 2012 Todos os direitos reservados.

VárzeaPaulista/SP