PERDER A ELEIÇÃO

02/10/2016 08:39

    Adaptação do texto de Marcos Coimbra

    https://www.viomundo.com.br/voce-escreve/marcos-coimbra-como-perder-uma-eleicao-sem-cair-no-ridiculo.html

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   Nas eleições, chega uma hora em que todos os candidatos, com exceção de uns ou outros, tomam consciência que vão perder (ou que já está definido que não ganham). Há casos em que a disputa permanece acirrada até a véspera e ninguém é obrigado a fazer essa difícil admissão. São mais numerosas, no entanto, as que logo se afunilam e se resolvem cedo.

   Os políticos sempre entram nas eleições esperando ganhar, mesmo quando sabem que suas chances são mínimas. Existem os que participam apenas para defender posição ou divulgar as plataformas de seus partidos, mas são raros.

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   Depois que as campanhas começam, a expectativa de vitória costuma tornar-se certeza. Por menores que sejam, os candidatos vão se convencendo que suas possibilidades são grandes. Talvez porque convivam principalmente com seguidores e sonhadores, talvez porque confundam a boa educação dos cidadãos para com eles, fantasiando que uma simples cordialidade traduza apoio. Mas é certo que, a alturas tantas, todos achem que vão ganhar.

   Ao contrário do que se pode imaginar, as pesquisas eleitorais não mudam sua opinião. Não é por estar lá atrás e haver outros mais bem situados que eles pensam com mais cautela. Todos têm vários exemplos para citar, de políticos que começaram mal nas pesquisas e terminaram ganhando.

   A constatação de uma derrota iminente é especialmente complicada para os candidatos maiores, dos grandes partidos. Ainda mais se estiveram na liderança das pesquisas.

   Agora, por exemplo. O que deve fazer um candidato, como deve se comportar no dia final desta eleição?

   Ninguém gosta de chegar à conclusão que um projeto acalentado há muito tempo não vai dar certo, antes que a inevitabilidade se imponha. Não faz parte do senso comum a expressão “a esperança é a última que morre” ? Que, enquanto há vida, não se deve renunciar a ela?

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   O problema é que, quase sempre, esses momentos levam as pessoas a gestos extremos, nos quais não se reconheceriam em condições normais. O ateu vira crente, o racional vira místico, o sério pode ficar ridículo. O arrependimento por essas guinadas costuma ser grande. Na política, encruzilhadas desse tipo são ainda mais perigosas. A caminho da derrota, o candidato se isola cada vez mais, começa a ouvir apenas os assessores que o aconselham a fazer de tudo, a tentar qualquer coisa. A usar de qualquer recurso e não admitir o insucesso.

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   Nessa hora, os candidatos deveriam parar de pensar no que ainda resta a fazer, no esforço inútil de reverter uma situação sem perspectiva, e olhar para frente. Perder e ganhar são parte da vida de quem opta por uma carreira política. Ganhar é sempre melhor, mas perder mal é muito pior que saber perder.

   O candidato, e os adversários, precisam pensar no que vão fazer depois do último dia destas Eleições 2016. Tentaram de tudo e mais alguma coisa para mudar o desfecho que todos pressentiam. Fizeram o que foi possível ser feito até o dia de hoje, como fizeram desde o inicio, ao embarcarem na canoa que os trouxe até o momento atual, mas o resultado pode não ser o desejado. 

   Saber perder uma eleição também é ter dignidade.

 

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